• Da redação

Do meu observatório da Expoflora


Desse meu cantinho de nosso estande da Expoflora, em 2004, faço o que para muitos seria um grande sacrifício, momentos deliciosos de “espiã do comportamento humano”. Que curtição! Deliciosos porque mesmo que estejamos sorvendo taças não muito saborosas, reconhecemos sempre que estamos descobrindo facetas de pessoas até então ignoradas.


Portando estamos acrescendo dados interessantes em nossos relacionamentos. A montagem de nosso estande também foi sempre muito interessante. Os milhares de nossos tamanquinhos multicoloridos enfeitavam nossas prateleiras, tornando o espaço mais alegre e movimentado.

Como nas marés oceânicas, as massas sobem, descem, aumentam, diminuem, num burburinho incessante!

- Vamos! Chega de comprar! Gritava bem alto o marido, agitado e nervoso bem na orelha da esposa!

- Tome o talão de cheques, meu bem! Diz outro à sua mulher.

Que diversidade, observo!

- Eu quero um cofre de porquinho! Grita um menino de 6 anos, chorando!

- Não, disse a mãe! Quase lhe dando um peteleco!

- Não vou comprar! Carregando muitos pacotes lá iam embora, com o menino pedindo outra vez: - Compra manhêêê !!!

- Já, ponha na prateleira! E o pequeno a obedeceu, chorando.

Mas como meu coração falou mais alto, como sempre, chamei o pequeno e lhe disse: - Como você foi obediente, vai levar esse porquinho de presente. - Como é fácil fazer uma criança feliz!

- Que barato, pessoal! Grita um senhor da Terceira Idade! E atrás dele, dezenas de alegres senhoras invadem nosso pequeno espaço! E num instante saem com muitas lembranças. Eis que aparece um poeta pernambucano em cima de seus 80 anos! Aleluia! Viu um livro meu “Crônicas da alma” sobre a mesa.

Abriu-o, gostou e o levou, não sem antes declamar poesias de Castro Alves e falar muito sobre literatura e poetas, quando no auge de seu entusiasmo, aparece na porta, no meio do povo, uma senhora, feições autoritárias, que gritava em altos brados: - Teobaldo! Você parou outra vez?! Que paciência preciso ter! O ilustre cidadão nem se incomodou e disse:

- Isso é um ciúme velado que ela tem de mim!...

E assim, de meu observatório privilegiado vou assistindo ao desfile de centenas de pessoas que entram e saem de nosso estande, alegres, quietas, alvoroçadas, cultas, elegantemente vestidas, falantes, bem ou mal educadas, simples, carinhosas, simpáticas ou antipáticas, tatuadas, ou não, e sobretudo, lindas e esculturais mulheres, exibindo exageradamente os dotes que Deus lhes deu! E salve o nosso calor! Que posto de observação maravilhoso!

Ildathereza13@gmail.com

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